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Alguém deveria escrever um “Por Que Ouvir os Clássicos”

“Seja por influência direta ou diluída, você ainda escuta ecos do debute do Black Sabbath saindo das guitarras de moleques de 16 ou 17 anos pelo mundo todo.”

“Por Que Ler os Clássicos” é um artigo do Italo Calvino cujo título é bastante autoexplicativo: ele se propõe a listar uma série de motivos pelos quais a humanidade deve conhecer os clássicos da literatura universal. Dickens, Homero, Balzac, Cervantes, essa turma toda. Nesse artigo, Calvino – ele mesmo já um clássico, diga-se – oferece algumas definições para “clássicos” e apresenta uma série de considerações interessantes sobre o tema. É um bom texto, vocês deveriam ler.

Dia desses eu reli. E, no processo, não pude deixar de fazer relações com a música de que gosto* e pensar em como os clássicos são importantes também para essa área. Acho que alguém deveria escrever um “Por Que Ouvir os Clássicos”, pra ajudar a definir conceitos e marcar limites.

Calvino, sobre os clássicos da literatura, afirmou que “…os clássicos são aqueles livros que chegam até nós trazendo consigo as marcas das leituras que precederam a nossa e atrás de si os traços que deixaram na cultura ou nas culturas que atravessaram (ou mais simplesmente na linguagem ou nos costumes).” E um clássico na música atual não se distancia desse conceito. É um disco que marca uma geração e termina por deixar um rastro interminável atrás de si.

A influência de um álbum como “Rubber Soul”, por exemplo, transcende o tempo, porque reverbera até hoje nos zilhões de bandas de pop/rock/pop rock que pipocam por aí. Seja por influência direta ou diluída, você ainda escuta ecos do debute do Black Sabbath saindo das guitarras de moleques de 16 ou 17 anos pelo mundo todo. O “The Miseducation of Lauryn Hill” segue sendo uma referência pra qualquer um que queira fazer rap, e mesmo morto há quase 40 anos o Cartola é um dos maiores professores de samba até hoje.

Enfim: você não precisa gostar dos clássicos, mas deveria mesmo ouvir alguns – até pra entender o que faz deles tão importantes.

 

*Eu estiquei o conceito de “clássico” pra clássicos da cultura pop – mundial e brasileira. Esse texto não trata de música erudita, me desculpe se você só está aqui por isso.

romulocandal@gmail.com

<p>Rômulo Candal é curitibano e, talvez por isso, acredita ter menos a dizer do que a escrever. Jornalista de formação, é desses que prefere o frio, ainda frequenta estádios de futebol e vive procurando algo novo pra ler, ouvir ou assistir.</p>

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