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A construção de uma história dentro da desconstrução da imagem

“Costumo olhar com mais cuidado e afinidade para as questões sociais, raciais, feministas. Gosto de misturar as artes imagéticas com a poesia, a música, a dança…”

O caminho que eu trilhei poderia ter sido muito diferente, sabendo-se que eu era atleta profissional na adolescência. Mas com um pouco de observação entendi que aquela minha coleção de fotos esportivas tinha um outro viés. Meu pai sempre fotografou e filmou as nossas festas de família, o que pode ter sido uma forte influência pra mim. Mas sempre me encantou o fato de colecionar imagens, de congelar o tempo, sou nostálgica e sempre valorizei o registro. E isso, em um dado momento, aflorou em mim com força, me fez romper com o atletismo e fazer um curso superior de fotografia no Senac. Daí por diante foi um amor bonito e intenso com as artes visuais, que já completa 12 anos em 2016.

 

         Nasci em São Caetano do sul, uma cidade pequena e com grandes indústrias. Dos meus 31 anos vivi 21 anos por lá, com minha família. Estudei nas melhores escolas, fiz uma boa faculdade e tudo isso com muito esforço e dificuldades financeiras. Por seis anos atravessei a cidade de São Paulo todos os dias e fazia “a ponte São Caetano do sul – São Paulo”, primeiro por conta da faculdade e mais tarde por questões de trabalho. Até me mudar de vez pra São Paulo, onde eu moro e trabalho há 10 anos.

         Dentro da fotografia fui assistente de vários fotógrafos, o que me possibilitou aprender um pouco de publicidade, arquitetura, eventos sociais, educação, laboratórios e estúdios. Já pintei muito fundo infinito, estagiei na W Brasil, conheci gente famosa, dei aulas de fotografia em várias escolas e universidades, viajei pra muitos lugares do Brasil acompanhando outros fotógrafos. Foram 7 anos como assistente até definir que estava na hora de abrir minha empresa, a Camomilla Fotos, onde eu direcionei meu trabalho pros eventos sociais e ensaios de famílias.

 

         Em 2015 percebi que alguns trabalhos meus não cabiam dentro da linha de eventos sociais por serem mais artísticos e abri um ateliê para venda de meus trabalhos autorais.  Eu que nasci Mariana Serzedello Crespim Lopes assumi o nome artístico Mariana Ser e decidi finalmente expor as obras que eu guardava no guarda roupas. Desenrolei algo que estava há um bom tempo aqui dentro. Deixei de olhar pros meus autorretratos como apenas um narcisismo meu e direcionei para a arte performance. O que me leva não só a produzir um projeto mas a estar inserida, ativa e participante. O tipo de arte que eu sempre admirei, com as imagens de Francesca Woodman, Cindy Sherman e tantos outros.  Mas não me via capaz de seguir nessa mesma linha. Foi aí que surgiu o trabalho “As mulheres que eu gostaria de ser”, onde eu me transformo em diversas mulheres que eu admiro. Comecei o projeto descompromissadamente, utilizei apenas os acessórios e roupas que tinha em casa. Equipamento simples, câmera digital e flash compensado. Sem rebatedor ou qualquer equipamento sofisticado de estúdio. Com o passar do tempo separei um canto da minha casa que virou o meu “estúdio” e passei a pesquisar o que cada mulher representava esteticamente. Observando a luz, seus trejeitos, lendo, assistindo filmes, estudando suas histórias de vida. Além de pegar emprestado algumas perucas com os colegas da Via Certa Teatral.

Este projeto já me rendeu algumas alegrias. Saiu em uma revista de artes visuais, a Carcará Photo Art, no portal Hypeness, no portal Razões pra acreditar, no site da Revista Glamour, no portal da Rede TV e nos blogs Arte Risco e Vitrola Secrets. Foi exposto em dois eventos feministas, no “As mulé” e coletivamente com as estudantes feministas da Unifesp de Guarulhos, Coletivo Maria dos Pimentas. Por último esteve exposta em Lisboa junto das minhas colagens. Uma parceria maravilhosa que possibilitou minha viagem até Portugal. Para ir até lá criei uma vaquinha de internet, um crowdfunding para conseguir ver, montar, visitar minha exposição na Galeria 3D. Consegui em 15 dias arrecadar mais de 5 mil Reais pra ir até Lisboa. Fiz uma viagem maravilhosa que me possibilitou sair pela primeira vez do Brasil, fazer novos contatos, conhecer outra cultura, ver de perto a montagem da exposição e participar da abertura. Sou eternamente grata às pessoas que me ajudaram a conseguir isso.

 

         Já as colagens começaram a surgir no meu trabalho quando eu descobri o trabalho do artista David Hockney, do Lazlo Moholy Nagy, do Man Ray, o cubismo do Pablo Picasso, o surrealismo do Salvador Dali e do Magritte.

         Por um longo período eu aprendi a apenas construir a imagem, com perfeições técnicas, com a luz ideal. Ao mesmo tempo, nas horas vagas, gostava de fazer colagens e desconstruir esses conceitos. Foi dentro dessa desconstrução que eu percebi que gosto de retratar as pessoas e agregar, numa mesma imagem, diversos símbolos. A construção de uma história dentro da desconstrução da imagem. Acredito que agregando informações visuais, símbolos, pode se construir uma estética diferente e sem obviedades ao retratar pessoas. A colagem me possibilita isso.

Costumo olhar com mais cuidado e afinidade para as questões sociais, raciais, feministas. Gosto de misturar as artes imagéticas com a poesia, a música, a dança… Eu acabo experimentando isso com a Cia. Alpiste de gente do multi artista, parceiro e amigo Jairo Pereira. Onde desenvolvemos um espetáculo de poesia e música tendo como mote a leveza, o amor em liberdade, os bons sentimentos. É também um canal do Youtube e toda semana tem novidades. Eu acrescento produzindo uma linguagem, uma estética visual, a companhia.

 

         Ainda tenho muito a desenvolver, muitas ideias de projetos novos a produzir. Esse processo autoral que leva certo tempo pra maioria dos artistas tem sido em ritmo acelerado pra mim, faz apenas 6 meses que assumi de fato a autoria dos meus trabalhos visuais e já aconteceu tudo isso.

 

         A relação com a arte performance abriu também um espaço em mim para talvez estudar teatro, voltar às aulas de canto. Não me fechar apenas na fotografia. Dizem que uma arte puxa a outra, eu concordo e eu venho sentindo bastante isso.

 

         Penso em voltar a estudar, dar seguimento aos estudos de artes visuais em breve. E continuar a produzir, expor e vender minhas imagens pelo mundo.

Site Oficial:

www.marianaser.com.br

contato@rnottmagazine.com

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