Revista virtual de arte e cultura

Home / R.You  / Coletiva Airez 2017

Coletiva Airez 2017

A R.Nott Magazine selecionou alguns artistas participantes da Coletiva Airez 2017 para perguntar sobre suas obras, seus espaços, suas motivações e seus diálogos. Confira aqui um pouco do que esses artistas têm a dizer sobre e através de seus trabalhos.


“A arte contemporânea abarca tantas possibilidades que só o fato de observar suas correntes me faz aglutinar e assimilar o máximo que posso.”


Rose Nascimento

Qual é a posição que você acha que ocupa dentro da arte contemporânea?

 

A posição de uma mulher inquieta, questionadora, observadora, que ocupa corajosamente o papel de fotógrafa, abordando, retratando dentro do cotidiano, “o diferente e suas diferenças”. Utilizando o corpo humano como fonte de inspiração para suas criações, corpo este que é na maioria das vezes o principal interlocutor em seus trabalhos.

♦ Em que medida você acha que o seu trabalho se aproxima ou se afasta dos seus pares dentro da Coletiva Airez 2017?

 

Se aproxima na medida que existe um diálogo, seja ele estético, conceitual ou técnico.

Penso que quando um projeto artístico é apresentado dentro de um formato coletivo, existe sim ali uma harmonia de linguagens.

 

♦ Fale sobre o seu trabalho exposto nessa Coletiva.

 

Este trabalho propõe possibilitar ao público por meio da observação das imagens, questionamentos evocados pela ternura trazida visualmente nas linhas e curvas dos corpos, as delicadezas nas relações homoafetivas, a sensualidade e suavidade não vista no cotidiano.

O projeto “Eles por Ela”, dentro de sua linguagem visual e corporal aborda questionamentos quanto ao nu, ao gênero, à sensualidade e à vida.


Daniel Pizani Marçal 

♦ Qual é a posição que você acha que ocupa dentro da arte contemporânea?

 

A de estar vivo e produzindo, quero dizer, entendo que por “arte contemporânea”, muitas vezes, o que se pretende significar é um contexto muito específico da produção em artes visuais, mas acho que é preciso reconhecer que todo artista, independentemente de suas áreas de interesse e dos meios expressivos que escolhe, independente da maneira com que seu trabalho é criado e transmitido, está fatalmente atrelado a seu tempo. É simplesmente inevitável, o artista não pode se eximir de seu cotidiano, e deve mesmo lançar mão dele como recurso para seu próprio trabalho, de modo que não há uma arte de ontem, uma arte de hoje e uma arte de amanhã, tudo o que existe é a arte, fora mesmo do tempo como nós o percebemos dentro de nossas limitações. O artista, creio, não deve ser correspondente de uma tendência ou época específicas, mas apenas de seu próprio fazer. Enfim, arte contemporânea para mim é a experiência e arte daquela ou daquele que a esteja exercendo honestamente segundo sua paixão e necessidade de estar viva/o agora.

 

 

♦ Em que medida você acha que o seu trabalho se aproxima ou se afasta dos seus pares dentro da Coletiva Airez 2017?

 

É interessante perceber como o desenho sobre papel teve uma representatividade significativa nesta coletiva, não sei, acho que há uma motivação comum por trás disso. É bem legal observar também que o desenho, embora num movimento que talvez não seja assim tão recente, tem recuperado muito de seu espaço junto às galerias de arte. Acho que toda uma geração influenciada pelos quadrinhos e pelo cinema de animação está começando a encontrar um caminho e a desenvolver um percurso bastante curioso e original entre a plasticidade de um trabalho de arte e o grafismo inerente a um trabalho tão facilmente reproduzível quanto o desenho, que não é nada menos artístico nem nada menos plástico do ponto de vista material, é claro. Penso que há uma facilitada confluência de imaginários, do Japão ao Brasil, o que traz em si muitas novas possibilidades figurativas e novas propostas em termos de mitos e narrativas, uma série de coisas que ressoam no trabalho.

 

♦ Fale sobre o seu trabalho exposto nessa Coletiva.

 

Foram selecionados dois desenhos que fiz entre 2015 e 2017, ambos a grafite e nanquim sobre papel. O primeiro (Sem título, 2015) faz parte de uma série de desenhos de sereias que criei para um zine concebido e elaborado em parceria com outro artista também atualmente residente de Belo Horizonte, Manassés Muniz. O outro (Sem título, 2017) é um desenho avulso dentre aqueles que surgem durante o contínuo processo criativo. Creio que não há nada que eu possa dizer especificamente sobre eles senão isso, seria acrescentado demais qualquer tentativa de descrevê-los, explicar o que significam para mim ou qualquer coisa assim. Afinal não é como se eu possuísse absoluto controle sobre essas imagens.


Heloísa Medeiros

♦ Qual é a posição que você acha que ocupa dentro da arte contemporânea? 

 

Entendo que faço fotografia experimental, livre e intuitiva com múltiplas interpretações. Acho que meu estilo dialoga com a arte contemporânea exatamente por isso. Não é um trabalho rígido e tecnicamente perfeito. Gosto muito de fotografias distorcidas que dão margem à imaginação; é o começo de um trajeto e não o fim dele.

Acredito que ter um Portfólio na Photo Vogue com 38 fotografias selecionadas pelos maiores curadores de arte/fotografia/moda da Itália me chancela para estar indo pelo caminho certo, de estar em sintonia com o melhor da fotografia contemporânea.

 

♦ Em que medida você acha que o seu trabalho se aproxima ou se afasta dos seus pares dentro da Coletiva Airez 2017? 

 

A arte é tão subjetiva, acho que ela tem que emocionar o expectador, provocar, tirar do lugar comum. A imagem deve ser um convite a inúmeras interpretações. Não conheço todos os trabalhos expostos na Coletiva, mas percebo que a curadoria optou pela diversidade de discurso. O trabalho selecionado foi bastante lúdico e feminino, mas eu também tenho trabalhos foto documentais bem densos com prostitutas, por exemplo.

A série escolhida tem tons suaves e imagens oníricas que acredito que são bem diferentes do resto dos trabalhos.

 

♦ Fale sobre o seu trabalho exposto nessa Coletiva. 

 

A série “Meu universo onírico” trata do universo feminino e a desconstrução da beleza como narrativa poética.

A arte se assemelha à vida e, sendo assim, neste ensaio também representa o medo e a solidão. Misturo cenários tétricos e surrealistas com personagens femininas etéreas. Acredito que o monstruoso e o sublime dialogam muito bem nas artes visuais.

Quero do espectador reflexão e estranhamento.


Felipe Abreu

♦ Qual é a posição que você acha que ocupa dentro da arte contemporânea?

 

Esta é uma pergunta bem complicada. Meu instinto inicial seria dizer “não sei”. Mas acho interessante tentar organizar algumas questões em relação a este tema por aqui, então vamos lá. Sinto que acumulo diferentes papéis dentro deste universo. Atuo como editor de uma revista focada em fotografia desde 2011. Também tenho uma produção artística – essencialmente fotográfica –  dentro deste mesmo período. Mais recentemente, de 2014 para cá, tenho realizado alguns projetos como curador, dos quais quero destacar duas exposições: Em Construção Laboratório, no Valongo Festival de 2017. Neste sentido, caminho sempre entre as funções de organizador, pensador e produtor de arte. Se tiver que dar um nome para esta posição / função, acho que seria a de agregador. Gosto de sempre trazer novos artistas para trabalhar comigo, apresentar novos projetos e criar uma comunidade, que siga junta em seu processo de crescimento.

 

♦ Em que medida você acha que o seu trabalho se aproxima ou se afasta dos seus pares dentro da Coletiva Airez 2017?

 

Os trabalhos selecionados para a mostra são super diversos. É interessante ver um projeto que una tantos processos criativos em um único espaço. Visualmente há algumas aproximações entre os meus trabalhos na coletiva e alguns outros. Há um estudo de paisagem presente em outras obras que criam um diálogo interessante com Spring St. Mais do que isso, acho marcante ver o desejo de inovação presente em todos os trabalhos apresentados. Me parece que há uma busca por movimento constante, negando uma possível acomodação visual.

 

♦ Fale sobre o seu trabalho exposto nessa Coletiva.

 

Foram selecionadas três imagens da série Spring St. para a Coletiva 2017. Fiquei impressionado com a escolha, por ser um trabalho mais antigo (de 2014) e por ser meu único projeto que flerta com a colagem. Nesta série me interessou unir tempos e espaços distintos, trabalhando com imagens contemporâneas da área urbana de Los Angeles e imagens do início do século XX de parques naturais dos EUA. Foi uma experiência bem interessante criar este jogo e a lógica por trás dele ainda influencia meu processo atual. Fico feliz que ele volte a circular por aí!


Élcio Miazaki

Qual é a posição que você acha que ocupa dentro da arte contemporânea?

 

Sou um artista visual com formação em arquitetura e urbanismo, e desde 2011 tenho intensificado a minha produção nas artes (talvez ainda recente) circulando em seletivas de museus e de outras instituições. Nos últimos anos, algumas obras tem sido expostas em cidades nacionais (como Ribeirão Preto, Santos, Niterói, Uberlândia, Juiz de Fora, Blumenau, Curitiba, Campo Grande, Jataí, Belém do Pará e a própria São Paulo – cidade onde nasci, vivo e trabalho) além de Portugal (com a participação na Bienal de Cerveira). Posso dizer que me considero um artista que ainda busca uma inserção por meio principalmente de editais, com uma produção de perfil institucional, cujos trabalhos tem se configurado cada vez mais em construções de instalações ou obras site-specifics. Há mais de um ano, participo de um grupo de acompanhamento artístico aqui em São Paulo, cujas trocas com outros artistas tem sido fundamentais para enxergar melhor a própria produção e o sentido de se fazer ‘arte’. Dessas reflexões, surgem parcerias, demonstrando que o artista necessita de outras pessoas para que seus trabalhos também aconteçam com melhor embasamento não apenas formal, mas principalmente no aspecto conceitual.

 

 ♦ Em que medida você acha que o seu trabalho se aproxima ou se afasta dos seus pares dentro da Coletiva Airez 2017? 

 

Coletivas sempre são uma oportunidade de se espelhar no trabalho do(s) outro(s) artista(s) e perceber que não estamos sós nas necessidades de falar sobre determinados assuntos. Mesmo que aconteça de maneira diversa, seja pela linguagem, técnica, suporte ou uso de materiais. Conhecer e ter contato com a produção do outro é fundamental, com o mesmo cuidado que aprendemos com artistas já históricos ou consagrados. Todos se beneficiam.

 

♦ Fale sobre o seu trabalho exposto nessa Coletiva. 

 

As minhas obras expostas nessa coletiva da Airez pertencem a uma série de 12 colagens de ilustrações de espécies da fauna e flora tropicais. Arranjos são formados, por vezes desordenados, a procura por termos técnicos em latim, remetendo à classificação e a estudos botânicos. Em alguns casos, são criadas novas terminologias onde o real e imaginário se confundem. Nasceram quando estouraram pelo país as grandes manifestações de rua, cujos organizadores orientavam que fossem carregadas e entregues flores aos policiais caso houvesse agressões ou ataques por parte dos oficiais. Meus trabalhos são resultado de pesquisas e sobre as obras selecionadas para essa coletiva, são aquelas que possuem também indicativos de materiais e técnicas que lido até hoje, como as linhas de costura, papel, apropriação de imagens e o uso da cor negra.


Gabriela De Laurentiis

♦ Qual é a posição que você acha que ocupa dentro da arte contemporânea?

 

Realmente nunca pensei sobre isso. A prática artística é um dos modos que me permite estabelecer conversações e elaborar a existência. A arte contemporânea interessa-me quando possibilita tensionamentos relativos aos valores morais, políticos e estéticos estabelecidos. Sou uma pesquisadora. Seja na escrita do meu livro Louise Bourgeois e modos feministas de criar (2017) – resultado do mestrado realizado no Departamento de Histórica Cultural da Unicamp – seja participando da Coletiva Airez, o que me movimenta é criar formas estética e politicamente críticas as modelações contemporâneas. O que se coloca à margem e quebra as identidades. Mas, também, aquilo que sufoca e aprisiona, que reduz a existência, a vida. Essas são as coordenadas das quais partem as minhas pesquisas, que podem tomar forma de fotografias, textos, vídeos, livros…

 

 ♦ Em que medida você acha que o seu trabalho se aproxima ou se afasta dos seus pares dentro da Coletiva Airez 2017?

 

Raramente sou competente em elaborar respostas mais gerais, como imagino a pergunta exija. Dentre as artistas participantes da Coletiva Airez tive o prazer de trabalhar com Thais de Menezes durante a residência Contágio 4×4, realizada no SESCSantana, São Paulo. Thais foi uma das articuladoras do projeto coordenado por Patrícia Bergantin. Entre as inúmeras sensações trazidas pelo Contágio, sobressaíram-se aquelas relativas às dificuldades em abandonarmos a imagem do sujeito identitário, enraizado em si mesmo, constantemente atualizada pelas forças circulantes no capitalismo contemporâneo. Outra artista da Coletiva Airez, com quem tive a oportunidade de estabelecer conversas mais diretas, foi Mariana Teixeira. Em parceria com as artistas Daniele Queiroz, Julia Paccola e Julia Milfward e a curadora Julia Lima criamos o projeto expositivo “Eu queria ser lida pelas pedras” que será exibido na Galeria Guaçuí – Universidade de Juiz de Fora. O trabalho com Mariana e as outras mulheres envolvidas nesse projeto, abriu inúmeros discussões sobre a produção de cada uma. O vídeo “Sufocamentos” (2017), exposto na Coletiva Airez, foi produzido nesse contexto.

 

♦ Fale sobre o seu trabalho exposto nessa Coletiva.

 

As imagens utilizadas na criação do vídeo “Sufocamentos” (2017) foram capturadas a partir de 2014, majoritariamente durante manifestações de rua. Interessa-me com esse trabalho, tratar sobre a violência policial. Não apenas a conhecida violência física, mas das tropas de contenção, que impedem a movimentação pelas ruas; das armas que mesmo quando não disparadas; dos tanques, carros, motocicletas policiais que compõem o espaço urbano e criam uma atmosfera de guerra. Após as fotografias e os vídeos serem realizados, são exibidos na tela do computador e recapturados com Iphone. Procuro, nesse movimento, elaborar uma narratividade poética que intersecciona discussões sobre a violência policial e o uso de dispositivos audiovisuais no espaço da cultura contemporâneo.


Mariana Teixeira

♦ Qual é a posição que você acha que ocupa dentro da arte contemporânea?

 

Acredito que faço parte dos novos artistas, daqueles que estão no começo de um caminho, que ainda não fazem parte do grande circuito da arte contemporânea.

 

 

♦ Em que medida você acha que o seu trabalho se aproxima ou se afasta dos seus
pares dentro da Coletiva Airez 2017?

 

Dentro dos artistas selecionados, acho que muitos compartilham da mesma fase de produção que estou, ou seja, novos artistas que estão em busca de mostrar seus trabalhos, que ainda estão definindo suas poéticas e formas de produção. Entretanto, dentre os selecionados, também existem aqueles que já estão com uma trajetória mais definida, que já ocupam uma outra posição dentro da arte contemporânea. Acho que o interessante da Coletiva Airez é exatamente isso, dar a oportunidade para artistas em diferentes fases de suas trajetórias e proporcionar um diálogo entre suas obras.

 

 

♦ Fale sobre o seu trabalho exposto nessa Coletiva.

 

Fui selecionada com dois trabalhos, um em vídeo (Para Ingmar Bergman, com amor. 2015) e uma série de fotos (Peixes estranhos nadam sobre as marés do tempo e do espaço. 2017), o segundo é o que foi exposto na coletiva. Trata-se de um trabalho que comecei a desenvolver dentro de uma residência artística que fiz em 2016 com o Eustáquio Neves em Diamantina. As fotografias retratam uma praia pacata, onde é possível observar peixes estranhos, que voam pelo espaço. Para realizar este trabalho, tive como ponto de partida slides antigos, que mostram viagens de uma família. Após observá-los e escaneá-los, comecei a reparar nas cenas que aconteciam no segundo plano de cada slide e nos peixes que pareciam estar voando. Dessa forma realizei um recorte dos planos que me interessavam e construí uma nova narrativa para as fotografias.


Felipe Olalquiaga

♦ Qual é a posição que você acha que ocupa dentro da arte contemporânea?

 

Enquanto artista acredito não ocupar posição ou espaço algum na arte contemporânea, também não sei se acredito na existência de espaços e posições dentro da arte contemporânea para serem ocupados. Ocupo um espaço/posição no mundo, uma equação política social de privilégios e desprivilégios, sou branca, classe média, transviada e não normativa. Minha produção poética é um reflexo de minha vivência, produzo arte porque sinto necessidade e porque tenho essa possibilidade.

 

 

♦ Em que medida você acha que o seu trabalho se aproxima ou se afasta dos seus pares dentro da Coletiva Airez 2017?

 

Coletiva Airez 2017 reúne muitos artistas, com diversas poéticas bem distintas, realizar uma aproximação entre obras me parece um trabalho bem difícil. Acredito novamente em aproximações políticas. Vejo um coletivo de artistas que acreditam na proposta e nas novas relações de experimentação e vivência que a galeria apresenta. O mercado de arte, tanto financeiro quanto institucional, possui regras e hierarquias bem definidas, toda proposta que apresente novos mecanismos de relações me parecem válidas.

 

♦ Fale sobre o seu trabalho exposto nessa Coletiva.

 

Há dois anos venho pesquisando a burqa/niqab como elemento poético, não no sentido de defesa ou julgamento de sua utilização, mas me apropriando das problemáticas que essa roupa suscita para inserir meus próprios questionamentos e tentar entender de que forma podemos subverter as ordens sociais a partir deste elemento.

 

Essa vestimenta quando deslocada de seu “local”, produz uma inversão nas questões de visibilidade e invisibilidade, se torna estranha. Quando inserida em nosso contexto social, onde não é comum vermos nas ruas pessoas trajando esta roupa, o objeto que a priori tem a intenção de esconder e de padronizar produz justamente o efeito contrário, deixa mais visível, ou seja, me torno visível quando estou invisível e verdadeiramente invisível quando estou usando roupas lidas como ¨normais¨.

 

O objeto a priori de passivação se torna objeto que ataca, que ameaça. É minha balaklava. Ameaça pelo fato de não conseguirmos decifrar o que se encontra por de trás daquela máscara, e o ser humano tem a tendência em afastar tudo aquilo que não denomina ou melhor o que não domina. A impossibilidade de decifração pelo o que esta velado, faz com que seja impossível a assimilação, portanto não consigo definir se o corpo que se encontra a minha frente é um amigo ou um estranho, cria um estado de tensão.

 

Como eu, pessoa sem gênero definido sou lida a partir do momento em que saio de casa trajando uma burqa/niqab? Quem agora se apresenta perante a sociedade? A problemática de gênero e identidade que este objeto apresenta é realmente complexa.   A mulher trans, a travesti, negadas cotidianamente à existência, quando se apresentam utilizando uma burqa ou niqab, como são lidas? São a partir desse momento, reconhecidas como mulheres? O objeto cujo objetivo é retirar a identidade pode ser também concomitantemente o objeto que a afirma?  Como trajando uma burqa sou inserido socialmente? Pertenço? Me deixo pertencer? Me excluo ou sou excluído?

 

A burqa/niqab questiona nossas noções de público e privado, de interno e externo, de íntimo e estranho. O tecido se torna suporte de subjetivação, provoca o corpo, o cotidiano, questiona a normatividade e as regras sociais. A partir dessa problemática inicial vou inserindo novos elementos pictóricos nas imagens tentando criar novas narrativas e novas relações poéticas.


Nino Almenna Sauro

♦ Qual é a posição que você acha que ocupa dentro da arte contemporânea?

 

De um aprendiz. A arte contemporânea abarca tantas possibilidades que só o fato de observar suas correntes me faz aglutinar e assimilar o máximo que posso.

 

♦ Em que medida você acha que o seu trabalho se aproxima ou se afasta dos seus

pares dentro da Coletiva Airez 2017?

 

Se aproxima na maneira como percebo similaridades, quer seja numa imagem, em uma fotografia, um som que ecoa e me faz perceber essas proximidades. Se afasta apenas pela diferença geográfica, e isso só enriquece.

 

♦ Fale sobre o seu trabalho exposto nessa Coletiva.

 

Ele tem ênfase no corpo e sua expressividade, o que ocorre desde meus desenhos de infância. Sempre dei mais destaque ao corpo do que ao rosto ou mesmo à coloração, essa só entra como coadjuvante, pois o traço é imperativo. No que se refere ao conceito, o título já demonstra um ambiente hostil e degradante, de total desconforto e a única esperança dá o ar da graça com o pássaro esboçando um voo.

Veja mais em:

https://airez.art.br/

contato@rnottmagazine.com

<p>Ei, artista! Você mesmo! Estamos procurando gente nova! Esse espaço é destinado a divulgar o trabalho dos novos nomes das artes, seja em música, artes visuais, literatura, o que for. Se você tem uma produção para mostrar ao mundo e quer estrelar uma de nossas edições, entre em contato conosco em contato@rnottmagazine.com</p>

Review overview
NO COMMENTS

POST A COMMENT